Extremo Sul: Greve dos petroleiros afeta abastecimento de combustíveis na região

Alguns postos no Extremo Sul do Estado estão com o preço mais caro e os reservatórios vazios. O dia foi de corre-corre nas bombas

Por Daniel do Valle / O Sollo

A greve dos petroleiros da Bahia, iniciada no último domingo (1º), já afeta o abastecimento de combustíveis na região. Sem poder recorrer às refinarias paralisadas nas proximidades, alguns postos no Extremo Sul do Estado já estão com os reservatórios vazios. Hoje (05), o dia foi de corre-corre nas bombas para quem depende do transporte e não quer ver a luz da reserva, no fim do medidor.

A paralisação adere ao movimento nacional dos trabalhadores da Petrobras, iniciada no último dia 29. O Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-BA) afirma que em torno de 85% dos funcionários da companhia pararam no Estado, com adesão de trabalhadores de 39 unidades da Bahia. O objetivo seria “barrar a privatização da Petrobrás e a redução dos investimentos, que poderia causar a perda de milhares de empregos”, segundo o Sindipetro.

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a paralização é em defesa de todos os direitos adquiridos pelos trabalhadores nos últimos anos, contra o PNG da companhia, que prevê cortes de até 15 bilhões de dólares até 2016, através da venda de ativos, incluindo a BR Distribuidora e Gaspetro. “A greve dos petroleiros é pelo Brasil, pela Petrobrás, em defesa da vida”.

Duplo Susto nas bombas

Para o consumidor o susto foi duplo. Além da ameaça, referente à possível falta de combustíveis, o preço nas bombas é outro desde a semana passada. Em Porto Seguro, o litro da gasolina varia entre R$ 3,80 a R$ 4,29 de acordo com uma pesquisa rápida, realizada pela equipe do Jornal O Sollo, nos principais postos locais. Já o álcool pode ser encontrado de R$ de 2,99 a R$ 3,49. O município é conhecido por ter os combustíveis entre os mais caros do Estado.

Um dos donos de um posto de gasolina da cidade, que não quis se identificar, explica que o feriado do ultimo dia 02 aumentou a demanda e a unidade acabou ficando sem a gasolina comum. “Ainda temos um pouco de gasolina aditivada, álcool e diesel, mas estamos preocupados. Não conseguimos carregar o caminhão na refinaria de Itabuna e tivemos que recorrer à Salvador. Esperamos que a situação se normalize em breve”.

Segundo jornais da região, outras cidades importantes como Teixeira de Freitas e Eunápolis também sentiram os efeitos da greve, e em alguns postos falta combustível.

Aumentos consecutivos

altA Petrobras informou, no último dia 29, os reajustes nos preços de venda da gasolina (6%) e do diesel (4%) nas refinarias. Os novos valores já entraram em vigor a partir do dia 30 de outubro, na maioria dos postos do Estado. Para o consumidor, o repasse do valor final foi ainda maior, de acordo com a determinação dos proprietários de cada unidade.

O representante comercial Douglas Fernandes diz que agora, para encher o tanque, é preciso esvaziar o bolso. “Como um país produtor de petróleo pode ter uma gasolina com esse preço? Já é o segundo ou terceiro aumento esse ano. Ninguém mais aguenta. Com tanta corrupção e injustiça, resta a impunidade para os políticos e a conta para a população”, reclama.

Em um ano, foram vários aumentos seguidos. Em novembro de 2014 , a alta da gasolina e do diesel foram de 3% e 5%, respectivamente. Em janeiro de 2015, houve elevação da tributação incidente sobre os mesmos, por decreto presidencial (8.395), de acordo com o Diário Oficial da União. E o valor também foi repassado ao consumidor, que sempre “paga o pato”, ou neste caso, pelo combustível mais caro.

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