Especialistas em produção de leite mostram panorama do negócio

Foto: divulgação
Extremo Sul – Aumento do índice de produção de leite através da aplicação de tecnologias simples e de baixo custo. É isso que os coordenadores do projeto Geraleite/Balde Cheio pretendem mostrar no 2º Simpósio Projeto Geraleite/Balde Cheio do Estado da Bahia, no próximo dia 10 de dezembro, no Cenarium Eventos, em Teixeira de Freitas. Estão sendo esperadas cerca de 1,5 mil pessoas, entre produtores ligados diretamente ao projeto, os atendidos pelo Balde Cheio e técnicos interessados no assunto. Para isso, foram convidadas como palestrantes algumas das maiores autoridades na área, como Luís Sande, Walter Miguel Ribeiro, Vidal Pedroso de Faria e Artur Chinelato.

A Bahia produz 950 milhões de litros de leite/ano, e consome 1,6 bilhões de litros, registrando o déficit entre a oferta e demanda de 650 milhões de litros. Eliminar esse déficit é o grande desafio da pecuária leiteira baiana, de acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Eduardo Salles. A Bahia possui o terceiro maior rebanho bovino do Brasil e a bovinocultura de leite é uma das principais atividades, geradoras de ocupação e renda, responsável pela fixação do homem do campo, principalmente o agricultor familiar.

O gestor de projetos do Sebrae, Paulo Mesquita, que acompanha de perto o projeto, adiantou que o simpósio funciona como uma excelente oportunidade de aquisição de informação, além da formação de uma rede de conhecimento entre os produtores beneficiados, que por sua vez convivem com dificuldades e possibilidades semelhantes. “Também neste processo é papel do Sebrae o estímulo ao empreendedorismo, associativismo e cooperativismo, buscando, além disso, soluções em gestão interna, inovação tecnológica e acesso a mercados”, resumiu.

O programa Geraleite foi desenvolvido através de uma parceria entre o Sebrae e o sistema Faeb/Senar com o objetivo de apoiar os produtores de leite da Bahia, no sentido de melhorar a qualidade do produto e a gestão de suas propriedades. Para isso, os técnicos oferecem assistência técnica e gerencial, com foco na cadeia produtiva do leite.

A ação trabalha dentro de dois elos da cadeia produtiva: produção e agroindústria. Os produtores têm o suporte da ação estruturante Agetec/Leite (Assistência Técnica e Gerencial), através da qual recebem noções de gerenciamento da propriedade, além de orientações técnicas para melhorar a produtividade.

O programa está presente em 51 municípios da Bahia e atende hoje a cerca de 300 propriedades rurais e laticínios. A agroindústria também recebe o apoio do Geraleite dentro da mesma metodologia de assistência técnica e gerencial. A ideia é que os produtores qualifiquem a sua produção e que a agroindústria possa adquirir e comercializar o produto.

Projeto mostra importância da bovinocultura de leite no extremo sul

De acordo com o engenheiro agrícola Rafael Azevedo, um dos coordenadores do simpósio, apesar da relevância da bovinocultura de leite praticada no extremo sul dentro do cenário econômico da região, a atividade leiteira não estava atendendo às expectativas dos produtores envolvidos no setor. A média de produtividade estava entre três e cinco litros de leite por animal ao dia.

Por isso, em setembro de 2007 foi iniciada a implantação do projeto Balde Cheio, desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite de São Carlos/SP e coordenado em 13 municípios do extremo sul baiano pelo engenheiro agrônomo Walter Miguel Ribeiro. O objetivo da implantação foi transferir tecnologia através do técnico de campo, reorganizando pilares importantes da pecuária leiteira. Em três anos de ações, as propriedades atingidas pelo projeto elevaram a média de produtividade para 200 litros de leite ao dia. A média de produtividade depende também da genética dos bovinos.

Em setembro de 2009, o Geraleite e o Balde Cheio passaram a atuar em conjunto. A oficialização desta união aconteceu em outubro de 2009, durante o primeiro simpósio, realizado em Mucuri. Agora, na segunda edição do evento, a ideia é mostrar os resultados do projeto e buscar a adesão de novos produtores.

“A meta do projeto é que, ao término do quarto ano de atuação, prazo final de sua execução, sejam atendidas entre 500 e 700 propriedades da região”, informou Azevedo, lembrando que a maior fazenda do projeto no Brasil, a L3, fica situada no extremo sul baiano, produzindo diariamente seis mil litros.

Fonte: Ascom do Sebrae

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