Equivoco religioso

Depois Jesus lhes perguntou: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? Mas eles permaneceram em silêncio. Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: Estenda a mão. Ele a estendeu, e ela foi restaurada.” (Marcos 3.4-5)

Lembro-me de um caso que tornou-se emblemático para mim. Vou narra-lo ao meu próprio modo, porém o fato é verídico.

Certa senhora, muito simples, que trabalhava como faxineira em uma empresa, passou a frequentar uma igreja cristã. Lá encontrou algumas pessoas da empresa em que trabalhava e, diante da necessidade que a igreja tinha de uma pessoa que fizesse a limpeza do templo, ela se dispôs e a igreja lhe remuneraria por isso. Algo bom para a igreja e para ela, que lutava com muitas limitações financeiras. Sua filha, uma menina inteligente e muito ativa de 11 anos, interessou-se muito pela escola bíblica e tudo ia bem. Aquela pequena família estava começando a conhecer o poder e graça de Cristo.

Todavia, ele era fumante e abandonar o cigarro não seria tão simples. Os membros da igreja que trabalhavam na mesma empresa que ela, sabiam. E então, um deles lhe disse que ela teria que parar de fumar ou não poderia mais trabalhar na igreja. Ela fez tentativas, mas não conseguiu. E então, perdeu seu trabalho e a ajuda financeira. Sentiu-se rejeitada e incapaz. Acabou afastando-se da igreja, bem como sua jovem filha. O comportamento daquele membro da igreja é similar ao espírito que Jesus criticou nos fariseus. Para eles, a sacralidade de suas convicções religiosas estava acima das pessoas, não percebendo que Deus ama, não as coisas religiosas, mas as pessoas, pecadoras e fracas como são. Jesus se irou e se entristeceu com eles e me parece que reage igualmente quando agimos da mesma forma. Naquele dia Ele colocou o homem diante de todos e o curou. Os fariseus poderiam aprender algo, mas não aprenderam.

Como cristãos, devemos olhar mais para dentro de nós mesmos e avaliar que tipo de pessoa estamos nos tornando. Estaríamos nos tornando insensíveis, frios, legalistas? A frieza religiosa nos cega para as pessoas, porque nos confunde sobre Deus. Mais que isso, ela pode tornar-se nosso deus. Ficamos tão cheios de nós mesmos, que temos a plena convicção de que estamos certos, o que nos tornará ainda mais duros e radicais. Devemos orar e pedir que Deus nos sonde, que o Espírito Santo nos esclareça e nos ajude a enxergar o sentido do Evangelho de Cristo. Devemos ser humildes, pois Deus dá de Sua graça aos humildes. Se porém formos soberbos, Ele se oporá a nós (Tg 4.6). Nada é tão ruim quanto ofendermos a Deus, pensando que o estamos honrando!

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