Entre o trigo e o joio

“Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi.” (Mateus 13.24-25)

Jesus contou muitas parábolas e grande parte delas para falar sobre o Reino de Deus. A ideia de Reino de Deus em seus lábios diz respeito à presença de Deus em nossa vida e história. O Reino veio a nós, o Reino nos foi ofertado e o Reino se instala, de alguma forma, dentro de nós. Esta última figura diz respeito ao nosso pertencimento e comunhão com Deus. Em todos os âmbitos o Reino de Deus é um grande mistério para nós. Ele não é nossa propriedade, não se submete a nossa vontade, não pode ser controlado por nós. Ele sempre nos surpreende e questiona. Sempre nos pede para refletir um pouco mais, pensar duas vezes, rever os nossos caminhos. Nosso encontro e experiência com ele não é fruto de nossa competência espiritual. Deus nos amou e veio a nós. Cada pessoa que tem vislumbres do Reino ou dele participa, só o faz pela graça. Não temos direito a ele e não há como conquistarmos esse direito. Ele só é acessível pela graça.

Onde está o Reino de Deus de modo que possamos vê-lo e percebe-lo? De modo que outros possam ter notícia dele e considerar a possibilidade de ser parte? A igreja é o sinal de sua presença, por excelência. Pessoas reunidas em nome de Deus, para servir a Deus, para aprender sobre Deus. Em sua aparência portanto, o Reino de Deus é aos nossos olhos diverso, dividido e frágil. É assim porque não podemos ver como Deus vê. Ele sabe muito bem onde está Seu Reino e quem está nele. Nos versos de hoje Jesus compara o Reino de Deus a uma lavoura semeada com trigo e contaminada com joio. Nem tudo que estava crescendo no campo era trigo. Essa é uma imagem do Reino de Deus e da igreja. Ela é um campo em quer nem todos são o trigo de Deus. Na parábola alguém sugere que a lavoura seja limpa (v.26), retirando-se o joio e deixando apenas o trigo. Mas não seria possível. Trigos aos nossos olhos seriam confundidos com joio e vice-versa. Somente na colheita é que o problema seria resolvido, pois embora as plantas sejam parecidas, os frutos são diferentes.

Em Mateus 25, Jesus fala do dia da colheita. Lá Ele usa uma outra imagem: um rebanho com bodes e ovelhas. Os bodes equivalem ao joio e as ovelhas, ao trigo. E o critério para separar uns dos outros é modo como cada um desses grupos tratou as pessoas em suas necessidades e fragilidades. Jesus está falando sobre o mandamento de amar o próximo. Devemos pensar sobre isso. Criamos nossas próprias regras para julgar trigo e joio, ovelhas e bodes. Mas essa não é nossa tarefa. Afinal, somos parte do campo semeado, somos parte do rebanho misturado. Somos trigo ou joio? Um detalhe: em Mateus 25 os bodes se espantam pois pensavam ser ovelhas; e as ovelhas maravilham-se pois temiam serem bodes!

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