Educação: prioridade para o desenvolvimento

Ao se cotejarem as estatísticas baianas relativas à educação, com dados existentes fornecidos por organismos oficiais, e relacionando-os aos de outras unidades federadas brasileiras, assume caráter de estupefação ou incredulidade o porquê de tal ocorrência, mais ainda quando se sabe da dimensão política, econômica e social do Estado da Bahia, no concerto nacional.

Estado de expressão continental com mais de 567. 000 km² de área geográfica, população que ultrapassa a casa de 14.500.000 habitantes, sendo o 7º PIB nacional e o 1º da Região Nordeste, a Bahia se apresenta com uma taxa de analfabetismo da ordem de 17,3% (Censo IBGE, 2010) não fazendo jus ao seu passado histórico de berço da nacionalidade, de centro estratégico propagador das atividades produtivo-colonialistas iniciadas no século XVI e que permitiram o crescimento econômico do País, até os dias atuais.

Pode-se afirmar que a representação econômica baiana versus contexto nacional é expressiva, que o Estado tem alcançado índices animadores de crescimento, questionando-se no entanto que os avanços poderiam ser maiores se…, bem, aí os fatos apontam, as questões da educação requerem diversos aportes, significativos e oportunos, indispensáveis à superação dos entraves educacionais existentes.

No plano do ensino superior gratuito, quando se compara a realidade baiana com a da vizinha Minas Gerais, por exemplo, o quadro existente fala por si só : Em Minas são 11 Universidades federais e 2 estaduais; no caso baiano, são 2 federais e 4 Universidades estaduais , observando-se os projetos de mais duas federais ainda pendentes de implantação, no Extremo Sul e Oeste. Registram-se ainda as ofertas da Univasf em Juazeiro e Bonfim, com Reitoria em Petrolina e campi outros nos Estados de Pernambuco e no Piauí. É interessante referir que, até os idos dos anos 70 do século passado, a UFBA significava a única Universidade pública federal baiana, posteriormente ao lado das coirmãs estaduais Uneb, Uesf, Uesb e Uesc vindas a seguir.

A existência do ensino superior gratuito restrito a uma instituição localizada em Salvador, fez com que a Bahia chamasse a si uma iniciativa das mais louváveis ao implantar Universidades estaduais de forma estratégica voltada para o interior, já a partir dos anos 80 do século passado, com campi em todas as regiões geoeconômicas estaduais. Isto possibilitou a oferta de variadas licenciaturas e/ou bacharelados, ora preparando professores para o ensino fundamental e básico das redes estaduais e municipais públicas ou privadas, ora para as demais atividades laborais comunitárias diversas que exigem a formação de nível superior.

Mesmo assim, o caminho do desenvolvimento, pelo viés da educação superior, apenas se inicia e há muito mais percursos a serem trilhados, “conquistados” talvez seja o termo mais apropriado vez que ela ainda tem muito mais a superar e, aí, há que se voltar também para o ensino fundamental e o básico, dando igualmente a importância devida à pré-escola. É necessário refletir sobre a alfabetização daqueles 17,3% “párias” da exclusão socio-educacional, pela importância que representam entre os mais de 14.500.000 habitantes do Estado-continente que é a Bahia, ou seja, uma população de mais de 2.465. 000 de baianos, conforme indicam as estatísticas, certamente muitos deles preteridos no acesso ao mercado de trabalho pela ausência de formação necessária.

Faz-se indispensável planejar-se a educação em todos os seus níveis para que o desenvolvimento surja com a força transformadora que, sabe-se, ele representa. Ações levadas a efeito no campo educacional sem planejamento levam a resultados inesperados, insuficientes, com custos elevados e benefícios discutíveis, comprovando a máxima: quem caminha por caminhos não planejados, qualquer caminho que siga levará a lugar nenhum!

Talvez caiba aqui, como lembrete, um pouco do Japão moderno, de sua tecnologia, e posição econômica mundial apenas superada por Estados Unidos e China, bem como a qualidade de vida do seu povo, o respeito à cultura milenar e o progresso certamente pela decisão daquele país que definiu, para muitos anos, a Educação como prioridade número um, dentre todas as demais prioridades nacionais, tornando-se exemplo mundial a ser meditado e seguido.

Na Bahia, o seu Extremo Sul ansioso por qualidade de vida, há que repensar o seu modelo educacional nos diversos níveis, adequando-o aos novos tempos, considerando-se o seu desenvolvimento. Na educação infantil, fundamental ou média, o Extremo Sul, conforme dados da SEI (2010) apresentava números verdadeiramente gigantescos nos setores públicos a seguir expostos.

Na educação infantil eram 524 estabelecimentos, sendo 3 estaduais, 432 municipais e 89 particulares. Estavam matriculados (série inicial) 29.309 alunos, sendo 110 na rede estadual, 24.166 nos municípios e 5.027 nas escolas particulares. O total de professores era da ordem de 1.473, sendo 14 do estado, 1.143 dos municípios e 314 das escolas particulares.

Em relação ao ensino fundamental existiam 868 estabelecimentos, sendo 45 do Estado, 745 dos municípios e 78 das redes particulares. Estavam matriculados (série inicial) 152.230 alunos, dos quais 13. 079 nos estabelecimentos estaduais, 128.131 alunos nas redes dos municípios e 11.010 nas redes particulares. O número de docentes era da ordem de 6.525, sendo 602 do estado, 4.015 dos municípios e 690 de instituições particulares.

Já no ensino médio havia 86 estabelecimentos, sendo 3 federais, 51 do estado, 10 dos municípios e 22 das redes particulares. Estavam matriculados 35.309 alunos, dentre os quais 461 da rede federal, 31.981 do estado e 1.176 dos municípios. O total de docentes era da ordem de 1.634, sendo 55 da rede federal, 1.248 do estado, 117 dos municípios e 214 das entidades privadas.

Como afirmado anteriormente, são números gigantescos que aguardam ações efetivas de longo prazo dos gestores do Extremo Sul e da Bahia, priorizando o ensino como redenção da mais nobre das esferas efetivas e eficientes conhecida da transformação do homem -a Educação- ferramenta principal do seu desenvolvimento político, econômico e social.

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