Deputado Timóteo Brito fala sobre os objetivos do seu mandato

O deputado estadual Timóteo Brito
Da Redação

O deputado estadual Timóteo Brito (PMDB) recebeu a equipe do jornal O Sollo e concedeu entrevista exclusiva. O parlamentar comentou a sua eleição, os objetivos a serem perseguidos durante o seu mandato e a situação administrativa do município de Teixeira de Freitas. Brito defende uma maior representatividade política e econômica do extremo sul e garante que não irá “olhar sigla partidária” ao estabelecer negociações para a viabilização de projetos que tragam maior qualidade de vida a população e pelo desenvolvimento regional. Ele destacou ainda que Teixeira de Freitas precisa de uma gestão mais progressista e voltada para o diálogo com representantes da sociedade.

Abaixo, a entrevista na íntegra:

1 – Jornal O Sollo: O seu partido foi oposição ao governador Jaques Wagner, mas fez acordo com o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo. Como se comportará fazendo oposição ao governo?

Timóteo Brito: É claro que quando existem esses contatos há o apoio do presidente do partido. Nesse caso, foi decidido o apoio à candidatura de Nilo à reeleição. Entretanto há espaço para o diálogo com o governo. Ao usar a palavra, afirmei que os deputados representam as suas respectivas regiões, mesmo sendo do Estado da Bahia. Essa característica faz com que os deputados tenham que requerer tratamento diferenciado para suas regiões, por parte dos presidentes da Assembléia e da Mesa Diretora.

2 – JS: Qual será a sua posição de deputado eleito pelo PMDB?

TB: Minha posição é a de lutar pelo crescimento e desenvolvimento do extremo sul. Pretendo discutir os projetos para a região, unindo forças com os deputados Ronaldo Carletto, Cláudia Oliveira e outros que a representem.

3 – JS: O que você pretende realizar como deputado na região?

Tb: O deputado não realiza, não constrói. Quem faz isso são o município, os governos do Estado e da União. Os deputados elaboram projetos. Lutarei para colocar verbas para o orçamento destinado aos municípios que nos apoiaram. O meu sonho é ver o Extremo Sul como um pólo universitário. Muitos dos nossos estudantes precisam fazer os seus cursos superiores em outras regiões. Com apoio dos deputados estaduais e federais, pretendo lutar para trazer novos cursos e instituições de ensino. Também pretendo olhar com especial atenção para a Saúde; vamos fazer tudo que for possível para conseguir o Hospital de Base para a 9ª Região Administrativa. Muitos cidadãos daqui, quando têm problemas de saúde, se dirigem a Belo Horizonte (MG) ou Vitória (ES), por exemplo. Essas capitais são mais próximas desta população do que Salvador. O governador precisa ser alertado para isso. Outra área que deve ser enfocada é a segurança pública, uma vez que quadrilhas do Rio de Janeiro e de outros estados migram para a Bahia. Nesse âmbito, Teixeira de Freitas é diferente de outras cidades, pois em determinados períodos do ano aumenta a sua população flutuante, devido às praias situadas em municípios próximos. Para que não fiquemos desguarnecidos, estou sempre em diálogo com o 13º Batalhão da Polícia Militar e a 9ª Coordenadoria de Polícia Civil do Interior. Nossa realidade é diferente de cidades como Vitória da Conquista, Itabuna, Barreiras, Alagoinhas, Juazeiro, dentre outras que não são cidades de fronteiras. Teixeira é a cidade que mais cresce no estado proporcionalmente e junto com esse crescimento vem a criminalidade, que precisa ser combatida. Entregarei ao governo estadual o levantamento que estou fazendo com todos esses dados e que deve embasar os projetos para o extremo sul.

4 – JS: Qual a sua relação com a atual administração de Teixeira de Freitas?

TB: A pior possível, porque o prefeito não se relaciona com ninguém. Ele se esconde dentro de casa e não dialoga com nenhum segmento da sociedade. Não discute com entidades de classe. Ele é muito radical e não vai à prefeitura. Parece que nunca foi a Brasília. Um prefeito que não tem projetos para levar aos ministérios, para trazer recursos para sua cidade deixa muito a desejar. Na capital federal existem recursos a fundo perdidos para as diversas áreas, o que precisa é de projetos, pois sem projetos não se consegue recursos. O que falta é atitude do prefeito. O gestor tem que estar em Salvador e Brasília buscando as verbas das outras esferas de governo. É só ver o exemplo de Alcobaça, um município que tem pouca arrecadação, mas o prefeito não para e busca recursos aonde tiver; com isso está mudando a cara da cidade. Foi assim que fiz quando fui prefeito, a arrecadação também era muito pouca, porém executei obras importantes. É essa atitude que devemos cobrar do prefeito.

A nossa cidade está completamente abandonada. As obras estão paralisadas. A cidade está tomada de lixo, com urubus sobrevoando e fazendo a limpeza pública ao invés dos garis. O transito está ficando caótico e a violência assustando a população. A corrupção tomou conta da administração municipal em todas as esferas e o prefeito está de braços cruzados, parece que ele vive no país do faz de contas e não tem nada a ver com isso.

A cidade precisa urgentemente de planejamento. É preciso transformar este município, a exemplo de tantos municípios brasileiros. Temos uma economia diversificada. O maior rebanho bovino da Bahia está aqui na região, por exemplo. Podemos ter uma indústria para beneficiar o couro e exportar os produtos. Precisamos ampliar o pólo moveleiro. Lutaremos incansavelmente para fortalecer o distrito industrial, visando gerar mais empregos e fortalecer cada vez mais a economia. Vamos unir forças, por uma região mais forte.

Quando fui prefeito, fiz um projeto, aprovado pela Câmara Municipal, que oferecia isenção de tributos municipais, por 10 anos, para a instalação de novas indústrias. O empresário precisa de apoio para investir os seus recursos e ter certeza da possibilidade de retorno. A prefeitura deve receber esses empreendedores de braços abertos.

O maior projeto para o interior da Bahia está para sair. Acredito que dentro de 60 dias, no máximo, deve ser liberado. São mais de R$75 milhões para obras de esgotamento sanitário. É um projeto elaborado por mim, que não teve nenhuma participação do atual prefeito.

5 – JS: Diante do vácuo político existente em Teixeira de Freitas e dentre os nomes que saíram fortalecidos das urnas na última eleição para deputado, destacam-se o de Timóteo Brito e o de João Bosco. Como o senhor vê a sua possível candidatura para a prefeitura em 2012?

TB: Está muito cedo para fazer uma avaliação como essa. Assumirei a vaga na Assembléia Legislativa e tenho um longo caminho pela frente. Não quero ser mais um deputado, por isso irei articular com os demais parlamentares no sentido de que o extremo sul tenha vez e voz. Não irei olhar sigla partidária. Procurarei o governador e até mesmo aqueles deputados que não são daqui para ajudar a nossa região. O político não se pertence. O mandato não é meu, pertence ao povo que me elegeu. Por isso, irei consultar as lideranças políticas e a população, que irá dizer se acha conveniente. Depois disso é que poderei colocar meu nome a disposição. Sacrifiquei a minha família lutando por essa cidade que tanto amo. Todos conhecem a minha vontade de trabalhar. Eu ainda tenho um sonho, que é ver esta cidade voltar a sorrir.

6 – JS: Deputado, quais as suas considerações finais?

TB: Quero encerrar prometendo muito trabalho, aliás, o que sempre fiz na minha vida de homem público. Deus vai me ajudar a realizar todos os meus sonhos, quero reafirmar que lutarei para não decepcionar àqueles que me confiaram mais este mandato.

Parabenizo o jornal O Sollo pelo trabalho sério que vem fazendo não só aqui na região. É um veículo que eleva a notícia. Sem a imprensa não existe democracia.

Aproveito a oportunidade para desejar um feliz 2011, coroado de êxito, para todos os baianos e em especial para o povo do extremo sul.

 

Comente!

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui