Bênçãos também dependem de nós

“Segurando-o pela mão direita, ajudou-o a levantar-se, e imediatamente os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes.” (Atos 3.7)

O Evangelho de Jesus é um convite para um relacionamento profundo com Deus e um relacionamento profundo com Deus nos levará necessária e inevitavelmente a um relacionamento amoroso com o próximo. Tudo em Deus nos leva ao próximo. A obra de Deus: não a fazemos para Deus, a fazemos para o próximo. O serviço a Deus: não o fazemos para Deus, o fazermos para o próximo. O que consagramos ou entregamos para Deus não vai para a vida de Deus, vai para a vida do próximo (Mt 25.31-46). O próximo importa tanto que não veremos de fato a Deus se não enxergarmos o próximo e nosso amor a Deus só é verdadeiro se amamos o próximo. Por isso, a caminho do templo para a hora da oração, indo para “estar com Deus”, Pedro e João não poderiam deixar de olhar, falar e estender a mão para aquele homem, o próximo deles naquele momento.

Vimos que, em Nome de Jesus, o homem aleijado foi curado pela palavra de Pedro: “Disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande.” (At 3.6). O poder de Deus estava presente e agindo naquele momento na vida e, especificamente, no corpo daquele homem. Mas ainda assim Pedro estendeu a mão para ajudar o homem a se levantar. Isso ilustra o fato de que Deus, ao dar a Sua benção, conta conosco. Nossa vida importa no que Deus faz neste mundo! E, mais que isso, há diversos momentos em que a nossa força será a única necessária para que a benção de Deus seja dada. Pois muitas vezes a realização da vontade de Deus estará somente na dependência do que eu esteja disposto a fazer. Em outras palavras, há muitos problemas no reino dos homens cuja solução não depende do poder de Deus, mas da atitude humana. Há bençãos que Deus deseja que desfrutemos, e que não dependem dele, mas de nós mesmos. De nossas atitudes, escolhas, ações e caminhos.

Estamos sempre orando uns pelos outros. Pelo menos deveríamos! Mas devemos nos perguntar: isso que estou pedindo a Deus pelo meu próximo depende de Deus ou eu mesmo posso resolver? Como posso ajudar? Será que não existe alguém que está dependendo de que eu o segure pela mão e o ajude a levantar-se? Deus jamais deixa de fazer o que deve. O homem foi curado, mas no processo Pedro estendeu a mão, o próprio homem esforçou-se para levantar, e o poder de Deus se manifestou. Há pessoas que, por mais que Deus queira abençoa-las, por mais que queiramos contribuir, elas próprias serão um obstáculo. Isso é triste e devemos ter cuidado para que não seja o nosso caso. Muitas vezes a questão não é o que Deus pode ou deseja fazer, mas o que nós estamos fazendo ou deixando de fazer! Não é simples essa matemática, mas é real. Mesmo fracos e falhos, há muito neste mundo, em nossa vida e na de outros, que não depende de uma ação de Deus para que mude ou melhore, mas de nós mesmos! E em muitos casos, nada acontecerá se nada fizermos. Mesmo que nos pareça que tudo dependa de Deus.

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