Bahia tem duas das piores rodovias brasileiras

As condições de duas ligações rodoviárias de Barreiras destoam da avaliação positiva que a CNT faz das rodovias que cortam a Bahia

A região de Barreiras, na Bahia, tem dois trechos entre as dez piores ligações rodoviárias do Brasil, embora a maior parte da malha rodoviária do estado seja classificada como ótima ou boa. A avaliação é da 19ª edição do Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada nesta quarta-feira (4) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O segundo pior trecho rodoviário do país, que ocupa a posição 108 do ranking elaborado pela CNT, é a ligação entre a cidade de Natividade (Tocantins) e Barreiras, no Extremo-Oeste baiano. Avaliado como “ruim”, o trecho compreende a BA-460, trecho da BR-242, e as TOs 040 e 280. Já na posição 101, das 109 ligações avaliadas pela CNT, está novamente Barreiras e sua ligação com o município de Teresina (Piauí), através das BRs 020, 135, 235, 343, e as rodovias estaduais piauienses 140, 141 e 361.

A pesquisa avalia tanto aspectos gerais do estado da rodovia como também a pavimentação, a sinalização e a geometria da via. Apenas os trechos pavimentados da malha federal e dos principais trechos estaduais foram avaliados no estudo.

Na Bahia, 44,5% dos 8,3 mil quilômetros de rodovias avaliados são consideradas ótimos ou bons, em seus aspectos gerais. A classificação regular é dada a 36% dos trechos e 19,5% são consideradas ruins ou péssimas.

O quesito pavimentação é o que mais contribui para a avaliação positiva da malha rodoviária que corta o estado, com 57,8% avaliada como ótima ou boa. Já a geometria da via é o assunto que rebaixa os indicadores baianos, com 47% das vias consideradas ruins ou péssimas nessa avaliação.

O outro lado

Titular da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), Marcus Benicio Cavalcanti avalia que a posição da Bahia é positiva no estudo. “Os investimentos nos últimos oito ou nove anos no estado permitiram a recuperação de quase 9 mil quilômetros de rodovias restauradas, só esse ano já temos 260 quilômetros concluídos”, informou.

Segundo o secretário, já está licitada a recuperação do chamado Anel da Soja, próximo a Luiz Eduardo Magalhães. O investimento de R$22 milhões inclui a BA-460, que integra um trecho considerado a segunda pior ligação do país, e outras três etapas que compõem o anel rodoviário.

“Estamos aguardando uma liberação de um empréstimo para iniciar as obras, além disso como entre novembro a março aquela região chove muito, nosso trabalho inicial vai ser garantir a trafegabilidade nesse período para iniciar as obras depois de abril”, afirmou Cavalcanti.

De acordo com Seinfra, entre os trechos em que a Bahia teve avaliação baixa quanto a geometria da via estão rodovias turísticas, como a BA-099 (Estrada do Coco), que teve avaliação regular, o que, segundo o secretário, não afetaria tanto o transporte de cargas.

O governo também prepara licitação para iniciar, até dezembro, a requalificação de uma rodovia no Nordeste do estado chamada de Olindina – Itapicuru – Tobias Barreto (Sergipe), com recuperação de 44 km de um trecho que atualmente é classificado como ruim.

Em nota, a Via Bahia que administra a BR-324 – rodovia Eng° Vasco Filho, entre Salvador e Feira de Santana e a BR-116 – rodovia Santos Dumont, de Feira de Santana até a divisa com o estado de Minas Gerais, informou que até setembro de 2015 foi investido cerca de R$ 1,4 bilhão em obras de infraestrutura.

Ainda de acordo com a concessionária, a BR-324 terá uma atenção especial em 2016. “As chuvas de inverno neste ano de 2015 causaram danos e o nosso compromisso, orientado pelo novo acionista da concessionária, é de melhoria substancial. Também queremos destacar que os municípios por onde passam as rodovias são beneficiados com uma estrutura melhor, com mais segurança e sinalização eficiente”, afirma Paulo André, presidente da ViaBahia.

Mais da metade das rodovias brasileiras é deficiente

A Pesquisa CNT de Rodovias 2015 percorreu e avaliou mais de 100 mil quilômetros de rodovias pavimentadas por todo o país, um acréscimo de 2.288 quilômetros (2,3%) em relação à pesquisa divulgada no ano passado.

Para a CNT, o estudo pretende ser referência para o setor de transporte e métrica para definição e aplicação dos recursos do governo. No Brasil, da extensão total avaliada nesta edição, 57,3% apresentou algum tipo de deficiência no estado geral (que inclui a avaliação conjunta do pavimento, da sinalização e da geometria da via), sendo que 6,3% estavam em péssimo estado, 16,1% ruim e 34,9% regular. Possuem condições adequadas de segurança e desempenho 42,7% das estradas, que tiveram classificação ótimo ou bom no estado geral.

“A série histórica desse estudo consolidado revela a necessidade de priorizar o setor de transporte para que a logística se torne mais competitiva e para que o Brasil ofereça melhores condições de segurança para a sociedade”, posicionou-se, em nota, a CNT.

O transporte rodoviário corresponde a 61% da matriz de transporte de cargas no país. “Ao longo desses 20 anos, os investimentos destinados à área se mostraram insuficientes para assegurar qualidade em larga escala a nossas rodovias”, afirma, também em nota, Clésio Andrade, presidente da CNT.

 

 

Alexandro Mota/Correio

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