Arrependimento

“Daí em diante Jesus começou a pregar: Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo.” (Mateus 4.17)

Assim começa o ministério público de Jesus. Ele anuncia o Reino dos céus e diz que está próximo. O sentido aqui não é escatológico, mas é o anúncio de que Deus se aproximou dos homens. Deus está presente pois ali está o Emanuel – o Deus Conosco. A proximidade é existencial, geográfica, concreta, física, palpável. O Reino dos céus está perto, desceu. As pessoas poderiam participar dele. E agora que o Reino havia se aproximado, se tornado acessível, a mensagem era: arrependam-se! O Reino dos céus vem à terra e os seres humanos devem arrependerem-se para dele participar. A palavra é “metanoia”. Literalmente: “mudança de direção”. Não se trata apenas de um sentimento de tristeza, um pesar. Mas mudança de atitudes. Trata-se de rever posturas, rever atitudes e comportamentos. Rever a vida!

Não gostamos de nos arrepender. Não gostamos de sequer admitir que estamos errados e que precisamos mudar. Se fossemos mais “arrependíveis”, por assim dizer, nossos conflitos se resolveriam mais rapidamente. Com certeza as crises conjugais terminariam menos em divórcios. Mas achamos normalmente que o problema está no outro. Como dizia Jean-Paul Sartre, “o inferno são os outros”. Mas, não temos escolha diante do Reino dos céus que se aproximou. Precisamos reconhecer que todos nós nos desviamos. Todos pecamos. Todos nós, sem exceção, contribuímos para que a vida se desalinha-se da vontade de Deus. É nossa a culpa por ser ela ser mais difícil, mais sofrida, mais injusta. Nosso egoísmo, nosso orgulho, nossos apetites e ambições conflitam com a vontade de Deus e Seu Reino. Por isso o Reino chega com essa mensagem: arrependam-se.

O Reino dos céus é o Reino dos arrependidos. Não no sentido de um ato passado, mas arrependidos em permanente arrependimento. Nele não temos tempo para apontar as falhas do nosso irmão porque estamos às voltas com as nossas próprias. Só há lugar para ajudar o outro e apoiá-lo, pois nesse Reino somos naturalmente listados como servos. É um Reino em que crescemos na consciência de que ainda nos falta algo, não de um jeito que nos faça infelizes, mas de um jeito que nos torna humildes, porque nos revela fracos. E aí é que sobre nós se aperfeiçoa o poder de Deus. As vezes nos esquecemos dessas características do Reino. Começamos a cobrar que os outros mudem, se arrependam, em lugar de viver o nosso arrependimento diário e humildemente amar e acolher o outro. Quando deixamos de lado o arrependimento, nos perdemos do Reino. O que fazer? Voltar a nos arrepender o quanto antes. Mudar de postura e direção. É no arrependimento que tudo começa no Reino de Deus.

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