Após ação da Vigilância Estadual, medicamentos do “kit covid” voltam a ser disponibilizados na IBM, em Teixeira

Foto: Internauta/OSollo

Sobre a matéria que OSollo divulgou na noite de terça-feira, 14 de julho, intitulada “Vigilância Sanitária do Estado impede distribuição de ‘kit covid’ em Teixeira e assunto causa polêmica“, a Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia emitiu novas informações sobre o caso.

Segundo o texto da Secom-BA, “as vigilâncias sanitárias do estado e do município de Teixeira de Freitas fizeram uma ação conjunta de fiscalização nesta segunda-feira (13), após denúncias de que uma igreja estaria distribuindo medicamentos controlados para a população”.

“As equipes de fiscalização impediram a distribuição, em virtude do local não possuir farmacêutico, nem alvará sanitário, bem como levaram para análise amostras dos medicamentos manipulados. O Ministério Público também foi acionado para avaliar a iniciativa e adotar as medidas cabíveis”, continua.

Nesta quarta-feira (15), o jornal OSollo manteve contato com a médica Caroline Martins, que reafirmou não haver irregularidades no processo de distribuição dos medicamentos, doados por empresários.

A médica apresentou à Redação d’OSollo a identificação de um farmacêutico que é responsável pelo local. Este é um dos requisitos constantes na Resolução Nº 108/2020, que define o fluxo de distribuição dos medicamentos, provenientes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia para o tratamento específico da covid-19 no estado.

Ela ainda disse que esta não é uma ação da Igreja Batista Memorial (IBM). Apenas o espaço físico foi cedido para a distribuição. O espaço religioso também já possuía o chamado “Posto de Medicamentos Rede Solidária IBM”, devidamente licenciado pelo Núcleo Regional de Saúde – Extremo Sul, embora alvará sanitário esteja em processo de renovação. Os documentos também foram apresentados ao jornal.

“Temos ainda uma declaração que nos permite funcionar, enquanto não chega o documento definitivo. Esse trâmite é normal”, menciona.

A médica relatou que, na terça-feira (14), a Vigilância Estadual teria autuado todas as farmácias de manipulação e acionado o recolhimento dos medicamentos comprados, advertindo sobre a possibilidade de interdição.

Os medicamentos já foram devolvidos às farmácias e, em seguida, repassados ao grupo, voltando a ser entregues.

O procedimento de entrega

A médica detalhou que a distribuição ocorre na área da frente da igreja. Em uma primeira abordagem, o paciente deve apresentar no portão seus documentos e as duas vias de receita médica a uma pessoa, que tem os EPIs necessários.

Uma outra pessoa faz a higienização das mãos do solicitante. A seguir, é feito o preenchimento dos dados, como nas drogarias, e carimbo da receita para evitar duplicidade.

Ainda segundo ela, o paciente assina um outro termo de consentimento, visto que, no momento em que o médico faz as ponderações ao paciente para a receitar os medicamentos, também deve ser assinado um termo de igual teor.

Tudo, segundo a médica, é grampeado junto a uma via da receita e fica à disposição das autoridades. Por fim, o solicitante recebe o “kit covid”.

Em crônica divulgada recentemente pelo pastor Júlio César Paiva Gonçalves, presidente da IBM, ele diz que “na última semana fui contactado por uma médica de nossa comunidade de fé, pessoa da mais alta dignidade e competência, que me solicitou em nome de um grupo respeitável de médicos a cessão do espaço físico da igreja”.

O pastor Júlio César escreveu sobre o assunto. Foto: Reprodução

O pastor diz que “tudo seria feito debaixo da administração de especialistas na área da saúde e sem nenhuma intenção partidária. Este último ponto foi muito frisado por mim a fim de que eu aceitasse a parceria”.

E afirmou: “Estou ciente de que alguns medicamentos não têm a sua eficácia comprovada pela Organização Mundial de Saúde, entretanto, nessa guerra nebulosa que se trava contra esse invisível inimigo mortal conhecido como coronavírus, toda e qualquer possibilidade de ajuda é muito bem-vinda. Principalmente para o pobre, que não dispõe dos mesmos recursos das classes mais abastadas. Assim, considerando que já temos uma farmácia solidária operando dentro de nossa igreja, com a aprovação do governo estadual da Bahia, bem como o protocolo médico a ser adotado seria o mesmo usado por várias clínicas e hospitais particulares, além de inúmeros municípios no Brasil, não tive dúvidas: se é para abençoar a quem precisa estamos disponíveis, como sempre estivemos em nossa caminhada ministerial.”

Ele acrescenta: “O estranho é que todos os pacientes da rede particular do município tenham sobrevivido à doença. Por que será? A causa não é difícil de se encontrar: tratamento positivamente diferenciado para os mais favorecidos economicamente e as sobras para os marginalizados pela sociedade. Meu estarrecimento se deu em virtude de o mesmo protocolo médico ter sido adotado pelo secretário estadual de Saúde da Bahia, sendo a ação da referida fiscal uma grave contradição àquilo que já foi adotado anteriormente pelo seu chefe. Mais uma vez, a resposta é fácil de se achar: uma enfermidade que tem matado dezenas de milhares de brasileiros tornou-se motivo de politização em tempos de acirrada polarização partidária. E as consequências dessa nefasta disputa recaem desgraçadamente sobre o lado mais fraco: os pobres e oprimidos de nossa cidade.”

Os medicamentos

O grupo de Teixeira de Freitas disponibiliza hidroxicloroquina, ivermectina e zinco, que nem sempre seriam todos receitados pelos médicos.

Conforme o material emitido pelo Governo do Estado, “três dessas substâncias são mais recorrentes nas conversas sobre o assunto: cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. Vale destacar que há uma evolução muito grande nos modos de tratamento, visto que é uma doença nova e toda a comunidade médica e científica aprende diariamente”.

O Governo do Estado disse ainda que os “médicos especialistas procuram organizar protocolos de tratamento para não prejudicar os pacientes com remédios experimentais. O Instituto Couto Maia, por exemplo, que é um dos principais hospitais na Bahia no atendimento a pacientes graves com diagnóstico de Covid-19, possui protocolo clínico disponível no site www.institutocoutomaia.com.br e não utiliza cloroquina, hidroxicloroquina ou ivermectina no tratamento”.

Em vídeo, o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, comentou a situação. Assista:

A Vigilância Sanitária de Teixeira de Freitas foi procurada por telefone, mas não obtivemos êxito.

Municípios

A Prefeitura de Itagi, no sudoeste da Bahia, anunciou que começou a distribuir hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina para todos os moradores com sintomas de contaminação. Leia aqui.

Tanto o caso de Teixeira de Freitas, como o do Município de Itagi ganharam repercussão nacional.

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