Altruísmo

“Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.” (Filipenses 2.4)

Estamos num mundo cada vez mais dividido, que cria bolhas reservadas para proteção dos iguais e reforça as desigualdades e o desconhecimento do outro. Reforçamos também o desconhecimento do que seja a vida com a atitude se apenas considerar a nossa própria. Buscamos o melhor para nós, o que não é errado, mas que se torna errado se o buscamos de tal maneira que produzimos o pior para os outros. Precisamos saber mais sobre a vida, mais sobre o outro, mais sobre nós mesmos. Para isso precisamos de conexão, de percepção do outro, de espaço em nós para mais que apenas nós mesmos. Mesmo para aquelas de quem diríamos “nada tem a ver conosco”. A elas também devemos valorizar e respeitar. É cristão e humano ser sensível e capaz de saber do outro, de perceber o seu mundo, por menos que seja o nosso.

Sim, essa atitude para com o outro é parte integrante do Evangelho de Jesus. E uma parte central, porque é um dos aspectos do amor que devemos uns aos outros. Amar é se expor ao outro e acolher o outro. É uma troca de conhecimento, percepção, sentimento e compreensão. Quanto mais conhecemos, menos julgamos. E para conhecer alguém diferente, cuja vida envolve circunstâncias ou desafios que não estão presentes na nossa própria vida, é preciso aproximar-se e ouvir. É fácil julgar e condenar o que desconhecemos. Aproxime-se e ouça. As vezes uma pessoa dura e ranzinza quando a julgamos de longe, revela-se uma pessoa ferida e acanhada, quando a vemos de perto. Outras vezes nutrimos completa rejeição por certo tipo de pessoa porque, segundo nosso julgamento moral, está errada ou é condenável. Mas se a ouvirmos, se conhecermos a sua história, ela crescerá aos nosso olhos e as questões com as quais não concordamos perderão o poder de nos afastar delas.

E perceberemos que é exatamente assim que Deus nos ama. Para Ele, somos mais importantes que qualquer questão que nos afaste dele.
Nem tudo na vida é uma questão de escolha. Há pessoas que jamais puderam escolher o que nós, tantas vezes, pudemos escolher. Nem todo rico é esnobe e insensível. Nem todo negro pobre é um perigo. Isso é preconceito! A pobreza é uma fatalidade na vida de muitos e essa fatalidade é produto de uma sociedade injusta. Distantes do outro e apenas julgando-o, viveremos enganados, não apenas sobre o outro, mas sobre a vida e sobre nós mesmo. E não se iluda: agindo assim não poderemos participar do projeto do Evangelho de redenção e vida, não poderemos ser fiéis ao mandamento de amar e servir. Precisamos aprender a olhar para além de nós mesmos. Precisamos aprender a nos interessar pelo outro, buscar ouvi-lo e compreende-lo. Precisamos apontar menos o dedo e abrir mais os braços. Nossa fidelidade a Deus e compromisso com o Evangelho também dependem disso. Sejamos mais cidadãos, mais amáveis, mais altruístas, mais cristãos. Sejamos mais como Jesus.

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