Além das aparências: reencontrar o caminho

“Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1 Pedro 3.15)

Perder-se pode significar pegar o caminho errado, mas pode também significar não pegar o melhor caminho. No primeiro caso não chegaremos onde desejávamos. No segundo até chegaremos, mas gastando mais tempo e recursos, enfrentando mais dificuldades e obstáculos. Não vendo ou experimentando muitas das boas e belas coisas que o melhor caminho teria para nos revelar. Em se tratando da vida, de nossa jornada de fé, a questão não é meramente chegar. O caminho é parte fundamental de tudo e faz completa diferença. A salvação de que fala o Evangelho não é apenas chegar a algum lugar, é poder seguir pelo melhor caminho também. O modo como vivemos, como lidamos com a nossa história e a dos outros, o que nos preocupa e o que nos anima, como cuidamos de nós e dos outros, nossa compreensão das coisas, fatos e pessoas… tudo isso é nosso caminho de fé. Será que estamos no melhor caminho?

Pensando em Jesus alguém poderia questionar minha inquietação: mas há somente um caminho! Não é tão simples assim. O modo como o trilhamos faz toda diferença! O modo como cremos e a pessoa que nos tornamos devido ao modo como cremos também é caminho de fé. Tanto Marta como Maria estavam ligadas a Jesus, mas uma escolheu a melhor parte e a outra não. Como seguidores de Jesus podemos fazer a mesma coisa. Há muito cristão chato demais para ter escolhido bem o caminho de fé que tem trilhado. Definitivamente não escolheu. Há cristão intolerante, possuído por uma visão estreita da vida e um espírito mesquinho. Gente que faz a Esperança proposta pelo Evangelho parecer algo nada apetitoso. Muito mais parecido com um remédio amargo que você precisa tomar para não morrer, do que com uma refeição saudável e saborosa que se deve comer para viver.

A fé proposta pelo Evangelho é mais bela, mais instigante e inspiradora do que a temos feito parecer. Há mais leveza e suavidade, há mais descanso, humildade e humanidade do que protagonizamos e ensinamos. Quantos camelos engolidos e mosquitos coados meu Deus! Quantas traves ignoradas e ciscos que justificam dedos em riste! Quantas mãos lavadas e corações contaminados! Quanta fome e quanta sede explicada, enquanto o Pão e a Água da vida seguem guardados em fardos nos depósitos intocados do medo religioso. Sim, sabemos que é Jesus, mas suspeito que nos perdemos dele no caminho. Não sabemos por onde Ele anda. Precisamos parar e gritar por Ele. Ouvir a Sua voz e reencontrar o caminho. E viver de forma mais amorosa, bela, inspiradora. E nos reunir com mais compromisso e alegria, leveza e singeleza. Redescobrir a vida. Aprender a viver. E superar a ilusão das aparências. A vida de aparências é mais comum do que pensamos. Se estamos nela, que acordemos.

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