A missão da igreja

“Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.” (João 3.18)

Há uma ideia neste verso com implicações importantes para a missão e atitude da igreja. Jesus disse que sem a fé nele, o Filho de Deus, todos nós já estamos condenados. Colocando isso em perspectiva, como bem salientou o apóstolo Paulo, todos estávamos perdidos e Deus nos amou (Rm 5.8) e veio ao nosso socorro para nos salvar. O profeta Isaías diz que, como ovelhas que não tem direção, cada um de nós se desviava por seus próprios caminhos, mas Deus em sua infinita graça fez cair sobre o Messias, Jesus, as nossas iniquidades (Is 53.6). Jesus veio então para resgatar perdidos, redimir pecadores. Não veio dizer aos perdidos que eles estão perdidos e serão condenados, mas dizer que são amados e podem ser salvos.

As vezes tenho a impressão de que muitos cristãos entenderam sua missão como sendo a de salientar e destacar a perdição dos perdidos em lugar de manifestar o amor e salvação ofertadas por Deus em Cristo. Em lugar de sermos portadores da mensagem de que Deus nos ama e que em Jesus podemos receber perdão e conhecer esse amor, nos portamos como aqueles que fazem a triagem dos que podem receber o perdão e amor que nós mesmos recebemos, gratuitamente, graciosamente, imerecidamente, por meio de Jesus. Como se fossemos parte de uma comissão dos que tem a salvação, que receberam de Deus a procuração para fazer a triagem dos “salváveis” e já encaminhar para a perdição os que não têm jeito. Desculpem! Talvez esteja exagerando, mas é como percebo algumas atitudes entre nós.

Há uma perdição que atingiu a todos. Há um Deus que amou a todos e enviou Jesus. Pela fé em Jesus, todos, sem exceção, podem ser redimidos. Por que pretendermos ser o controle de qualidade da obra salvadora de Jesus? Por que ocuparmos o lugar de quem julgará os realmente salvos dos não salvos? Afinal, não somos parte da banca julgadora, somos parte dos que precisavam e receberam salvação! Por isso, como cristãos e como igreja devemos proclamar a salvação. Acolher e ajudar. Abrir as portas para que todos que desejarem, entrem no Reino. Quem julgará a todos nós é o Espírito de Deus, que a todos conhece. A “triagem” não é nossa atribuição! Juntos, pela fé em Cristo, incentivemo-nos à obediência e submissão. E sejamos acolhedores como fomos acolhidos por Cristo. E a todos nós um alerta muito bem colocado por Paulo: aquele que julga estar firme cuide-se para que não caia! (1Co 10.12).

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