A Menina

Era sua vida. Seu modo de ser.

Existe a sensação de espanto neste momento, imaginando qual vida real seria para uma menina de dez anos.

O bairro era uma desgraça, mato nas calçadas, lixo, cães soltos, um ou outro maloqueiro vadiando a porta de quitandas miseráveis. As casas sujas, muitas riscadas com letra de carvão. Alguns mendigos, crianças barrigudas, e amarelas.

Descobri que a vida ali era diferente, tinha o submerso e trêmulo no viver.

Contudo, quando vi ao longe no mar um condor negro descer do céu para buscar descanso sobre um enorme recife, de bom grado teria lhe perguntado sobre o que seria a melhor justiça para esta menina a lei ou a religião.

Fiquei com o olhar perdido neste condor negro que refletia este momento escuro de uma criança, depois ele desapareceu em algum lugar e fique ali, olhando as colinas além do rio, sentado num banco sabendo que tudo iria acontecer com a naturalidade do inevitável.

E era até difícil entender se este fato era real, mas a menina existia, era de carne e osso.
A luz da inocência estava onde ela estava, e ela era o quadro e tinha o ouro da infância.

Se você ama uma criança, nunca desmascare seus sonhos. O maior, e mais ilógico, é sempre você, o desta menina foi estilhaçado e desmascarado de forma brutal.

Um mesquinho momento, uma realidade surreal, mas indispensável para quebrar o quadro, agora faltam as pérolas da inocência.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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