A escuridão do amanhecer

As sensações da vida, neste início da primavera, com a saída quase completa das regras de isolamento social, sobem dentro de nós; há um leve alívio interior. No seio do mundo, que vivíamos, de ruas vazias, da solidão urbana, os olhos ainda não estão habituados com a agitação, era um mundo triste e sem fim; um grande mundo que assombrava e amargava a todos nós.

Então, as luzes todas se acenderam, fazendo-se uma claridade confusa. Começamos a nos mover pela cidade, com narizes aduncos, como se tivéssemos afivelado ao rosto a máscara das próprias almas que precisam de calor humano e agitação.

Passamos um período que a reflexão substituiu a ação. Periodo de personagens sem cores, caminhando por um mundo cinzento e desconhecido. Os sons da cidade pareciam surdos e distantes: só ouvíamos as batidas fortes e constantes do coração. Agora, o mundo real nos atinge em cheio. Sirenes, buzinas e freios. O silêncio acabou.

Os momentos vividos não continham promessas da ciência, muito menos a de que haveria um instante seguinte. As lágrimas borrando os adeuses dos que partiram com a doença. Agora todos querem capturar um sabor,um toque ,para que aquela vida inteira desvanecá, evapore.

Hoje se eu não agarrar o momento, enquanto ainda lembro da dor vivida, não sentirei que as coisas mudaram. Hospitais, agonia e doença está ficando para trás, assim, parece.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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