56% dos domicílios baianos são considerados impróprios para se viver

Foto ilustrativa
A Rua 9 de Março, em Nova Constituinte,subúrbio de Salvador, é de barro, estreita, margeada predominantemente por casas pequenas e com paredes sem reboco, onde os moradores carecem de saneamento básico. O abastecimento de água é falho e os serviços de rede de esgoto e coleta de lixo não existem.

É um retrato que se multiplica pela Bahia, Estado onde 56% dos domicílios foram considerados impróprios para se viver pela pesquisa de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada com dados de 2008 e publicada há poucos dias. Os domicílios impróprios na Bahia somaram 2,3 milhões de um total pesquisado de 4,2 milhões de casas.

As estatísticas percentuais do Estado estão acima dos números nacionais, que trazem 43% dos imóveis pesquisados como inadequados, totalizando cerca de 24,7 milhões de lares dentre os 57,5 milhões de casas pesquisadas.

No estudo, só foram consideradas adequadas às residências com serviço de abastecimento de água por rede geral, esgoto por rede coletora ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e com um máximo de duas pessoas por dormitório.

“A Bahia apresenta um grande contingente de domicílios no meio rural, o que interfere na média do Estado”, analisou o coordenador do setor de divulgação do IBGE na Bahia, Joilson Rodrigues de Souza. Por essa razão, ele pondera que os números baianos não podem ser comparados com os de estados do Sudeste, por exemplo, onde a população urbana é mais significativa.

Ele lembrou que 30% da população baiana reside na zona rural, mais de quatro milhões de pessoas.

Mas o médico especialista em saúde pública Eduardo Ungar discorda. “Não acho válida essa análise, porque vemos uma concentração absurda de pessoas nos centros urbanos”, contrapôs.

Na casa de Rosana Souza da Paz, 22, espaço não é problema.

São três quartos para quatro pessoas, o que a coloca como adequada para moradia, sob o ponto de vista do espaço físico. Mas a residência não tem rede de esgoto ou coleta de lixo. “Não passa nada!”, diz ela sobre os serviços da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb).

O lixo de toda a Rua 9 de Março é jogado em um matagal no final da via e fica amontoado, servindo de comida para animais, como vacas.

Outro problema é a falta de rede de esgoto e falhas no sistema de abastecimento de água. “Faltou água ontem (na quinta-feira) à noite. E até agora (às 11h da manhã da sexta) não chegou”,reclamou a aposentada Maria Cecília Oliveira, 74, moradora da rua desde 1985.

Demora Maria Cecília conta que há 25 anos, quando foi morar na comunidade, não tinha energia elétrica e água encanada.

Duas décadas depois, as melhorias aconteceram, mas foram tímidas. “Sou fundadora disso aqui, mas ainda está bom de melhorar”, disse.

Segundo a pesquisa do IBGE, o número relativo de domicílios inadequados no Brasil era maior há 18 anos. Em 1992, chegava a 62% do total.

A Bahia também apresentou melhoras, apesar dos problemas.

Em 2006, por exemplo, o número de lares adequados subiu 375 mil unidades.

Fonte: George Brito/A Tarde

 

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