11 de setembro


O tempo leva tudo consigo, menos a saudade, e após vinte anos do atentado as torres, reflito que  os aviões que se chocaram  não se importaram  que aquela terça-feira era um dia lindo, ou se aquelas quase três mil vítimas levantaram com o pé direito ou esquerdo pela manhã; não se importaram  com o que as vítimas disseram ao se despedirem dos entes queridos ao se dirigirem para o trabalho, não se importaram se tomaram ou não sua cafeína matinal.

Nos parques,  pessoas passeavam  com seus cachorros, casais caminhavam de mãos dadas alheios a tragédia. Os  aviões eram  isentos de emoções e seus pilotos terrorista alucinados.

Estive no memorial às vítimas, com quedas d’água trazendo um momentos de reflexão e encontrando ali  os nomes de cada um escrito no mármore  local de  muito sofrimento, olhei vagamente aqueles nomes, unidos pelo acaso e pelo código postal.

Os corpos. Não mais pessoas,  cheias de calor e esperança e medos e sonhos. Não mais almas vivas que respiram, as condições humanas de cada um desaparecidas. Para sempre. Tantos planos que morreram ali, pois pensavam que tinham mais um dia, outra semana, outro ano. Como se o futuro fosse uma certeza.  Não apenas uma frágil promessa. Na hora da morte, gotas amargas que queimaram na alma e fizeram  o estômago se contrair de náusea e medo. Um estado mental em que questões triviais do cotidiano desapareciam e o medo da morte apareceu derepente .

Estou reconstruindo aqueles momentos como se estivesse lá. Caminhando por um mundo
de dor e tragédias sem nenhum contorno definido.  Sei que hoje vinte anos após quando o sol começar a desaparecer no horizonte, estas cinzas estarão comigo até morrer.

João Misael Tavares Lantyer 

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