11 de setembro

Em meio à batalha ideológica protagonizada entre o oriente e o ocidente, existiu, em 2001, a destruição das torres gêmeas em Nova York alterando o que chamávamos de vida cotidiana naquela manhã fria de outono.

Foi um dos raros momentos em que a compressão de mundo se alterou e algo até então visto como impossível passou a ser real, mesmo sem ser compreendido, tudo parou. As crianças na escola e trabalhos a cumprir.

Deste dia observei pela TV os aviões surgirem no horizonte de Manhattan no campo de edifícios que se estendia diante de Nova York . Naquele momento, porém, a mente dos radicais islâmicos estava presa em outro tempo, outro lugar, no paraíso com as 13 mil virgens, segundo a visão do Alcorão.

Os passageiro dos aviões sequestrados não davam importância a muitas sinais do perigo. Um sol pairava sobre o céu, projetando um brilho tênue nas torres e iluminando os escritórios nos andares mais altos. Em um deles parecia haver gente começando a ligar os computadores para mais um dia de trabalho. Então, de súbito, veio o choque.

Ninguém desejaria estar naquelas torres, nesta manhã tão linda, pois em instantes a dor e a destruição chegaria com força esmagadora, abalando a delicada ordem desse arranjo complexo do viver, que começou a desmoronar sob seu próprio peso. Essa deterioração veio à tona na forma de uma percepção do terror que fez a nova realidade que era a
humanidade em estado cru, selvagem, a essência do medo e da morte. O colapso da rotina.

As chamas envolveram tudo, trasformando o bairro de Manrattan em um borrão preto e amarelo das explosões e chamas. Na profundeza dos olhos assustados das vítimas uma espécie de terror tomou conta e muitos pularam para a morte.

Cada sonho das vítimas era lentamente sufocado com a percepção da morte. Tinham um lar e uma rotina mas ali tudo mudou. A vida passou de uma sensação de alegria para terror. Até aquele dia, eu tinha a impressão que todas as histórias do universo já tinham sido contadas, mas vi que não era verdade, e hoje, dezenove anos se passaram de um acontecimento global que não foi aleatório, mas planejado por Osama Bin Laden.

A casualidade existiu para as vítimas, de estarem ali naquele momento e mudou para sempre a trajetória das suas vidas. Todos nós somos reféns dos ritmos aleatórios da vida. Os dias ocos que se transformam em tragédias. A dor fria escorrendo devagar. O que percebo é que cada momento é único. Não há dias iguais. Eles se formam de acordo com diversas condições, cada instante é único, mas não separados. Todas fazem parte do mesmo viver .

Deste 11 de setembro de 2020 tenho gravado, no abismo do inconsciente, a memória ainda fresca do drama do atentado no World Trade Center,ao lembrar,a memória me repõe as surpresas estilhaçadas.Que as novas surpresas trazidas pelo cotidiano sejam superadas mesmo quando dolorosas,com agora com a pandemia do coronavírus. Eu espero encontrar no presente, a alma encantada da paz no mundo.

Ela é como um reflexo de mim mesmo,em um espelho do qual vejo cada vez mais a vida se afastar com a violência, desrespeito a natureza e tanta corrupção, mas as tulipas ao longo dos canteiros estão sempre mais vermelhas, nesta primavera, e se abrindo, não mais como taças de vinho, mas cálices; se projetando para o alto. O mundo mudou com a certeza de que estamos diferentes,espero que a busca seja sempre pela paz e harmonia.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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